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Cá entre mães
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A humanidade existe porque a mulher concebe.

A MÃE deveria ser a categoria de maior prestígio em nossa cultura.

Mas, ao contrário disto, é a maior acusada.


Ser mãe é entrar no ambiente mais conflituoso, é assumir o maior risco da sociedade. E ainda bem, que temos coragem e força (vindas sabe lá de onde), e mantemos nossa espécie existindo.


Cá entre Mães, chega ao Rio de Janeiro para acolher, informar e devolver para a mulher a alta autoestima perdida em tantos anos de contradições e de cobranças internas.

Uma gestante deveria ser vista como rainha, tratada com afeto e compreensão. Este é um período mágico por um lado e de tremenda insegurança por outro. Só uma grávida e “Deus” sabem o que passa em sua cabeça (da leoa defendendo a sua cria, a incompetente que não tem condições nem habilidades para cuidar e educar alguém, enfim da mais do que suficiente para a total insuficiente).


Infelizmente, poucas gestantes têm acesso a informações que as tranquilizem e que deixem bem claro que, devido as turbulências hormonais, é isto mesmo que se espera de uma gestante.
Por alto, podemos dizer que numa gestação o primeiro momento (fixar o feto), faz com que todo o sistema munológico baixe e, a quantidade de hormônios que o corpo passa a fabricar é tão alucinada que só não “enlouquece” uma mulher grávida, mas a deixa muito instável. Num segundo momento (o feto já assegurado) nos sentimos muito fortes e capazes. Em outro momento a sensualidade nos envolve. Na verdade, não entendemos nossos sentimentos e, nos culpamos, por os acharmos inadequados para o estado em que estamos. E tudo é hormonal, físico. Junte a isto as autocobranças quanto às competências emocionais e capacidades de oferecer o “melhor” para o futuro da cria e está armada uma arena de desafios que nos arremessa impiedosamente, ora para a segurança, ora para insegurança, ora para a capacidade, ora para a impotência.

 

O PARTO

 

Esta é uma experiência tão particular de cada mulher que podemos falar de relatos de transcendência e êxtase como de histeria e dor.

 

Embora partidárias do parto natural, que por princípio a mulher está apta e também por ser melhor para a saúde dela e do bebê, respeitamos a opção da gestante e a acolhemos em toda trajetória da gravidez.

 

Agora vem o ambiente interno. EU SOU MÃE.
Uma sensação comum é: eu fui enganada (não tem o glamour que diziam...). A outra é: eu sou uma farsa (não sou boa o bastante...). Ser Mãe é navegar por mares tempestuosos, é ser mártir num momento e em outro se sentir dissimulada. É se sentir grata e injustiçada. A questão é que o que se colocou como responsabilidade materna é muito mais do que uma pessoa pode dar conta. Nunca se deu atenção em preparar a mulher para os sentimentos positivos e negativos que vão lhe aflorar na maternidade.

 

O que é natural? O que extrapola? Quando é necessário pedir ajuda?

 

A maior dificuldade em ser mãe é a cobrança interna que a mulher exerce em si própria. A falta de relatos sobre os sentimentos da Mãe é responsável por tantas culpas e pela bagunça na educação do filho. Não raro, esta bagunça, alimenta dificuldades de relacionamento dentro de casa.

 

Cá entre Mães é um espaço de troca, visando a esclarecer, aliviar e dar subsídios para o ser Mãe fazer parte do contexto da mulher ao invés de ser o extraordinário.